“People often say that this or that person has not yet found himself. But the self is not something one finds, it is something one creatres.

Thomas Szasz

25 de abril de 2012

Excerto de uma carta que nunca será entregue!


Quero dizer o que ficou por disser sobre nós. Provavelmente disseste tudo, mas eu apenas ouvi e apenas fiz alguns comentários. Não sei por onde começar, nunca sei. Mas, vamos lá.
Não posso negar que me estava a apegar a ti, a culpa é um pouco tua e minha porque deixei. Já previa que me irias dizer para voltarmos a ser só amigos uma semana antes de o verbalizares. Nessa semana a tua forma de agir comigo mudou um pouco de um dia para o outro, não sei bem porque, mas pelo menos fez com que me preparasse e que me custasse muito menos. Não te disse nada na altura porque geralmente sou sempre eu que me afasto e que faço merda e na vida aprende-se com os erros e não gosto de repetir os mesmos erros. Eu sabia que o ias fazer mas achei que não ias repetir exatamente o que disseste da primeira vez, esperava um pouquinho mais de originalidade (não é bem esta a palavra adequada). Gostava de saber o porquê de não conseguires. E sinceramente foste bastante estúpido porque se sabias que não conseguias, seja lá qual for o motivo, não tinhas começado, insistindo, nem dado esperanças. Com isto não estou a dizer que queria ter alguma coisa mais contigo, porque eu nem sabia bem o que queria, mas não sou uma boneca para usares quando te apetece ou porque te lembras.
Peço desculpa se não disse nada depois quando falamos por telemóvel mas muito do que eu queria dizer está aqui escrito e não fazia sentido dize-lo por chamada ou sms, porque quando falo com alguém gosto de ver/ouvir as reações das pessoas, é muito mais genuíno. É ridículo dizer isso e escrever um carta, mas esta não é para ser entregue, provavelmente é melhor. Sei que achas que o facto de eu me preocupar com os outros e de não gostar que se preocupem comigo tem a ver com baixa autoestima e me achar inferior, mas isso é mentira, posso ter um pouco de baixa autoestima mas não me sinto inferior a ninguém, sou o que sou, e gosto de o ser mesmo sabendo que posso ser melhor, tal como todas as pessoas mas vou melhorando, crescendo e aprendendo com a vida ao contrário de muitas pessoas que estagnam no tempo. Simplesmente acho que os meus problemas são minimalistas e insignificantes comparados com os que vejo de outras pessoas, acho que tenho sorte porque na minha vida, tirando pequenas coisas, não tenho quase motivos nenhuns para me queijar. E a falar das pequenas coisas que podem não estar tão bem como eu queria estou apenas a valoriza-las, a dar-lhes valor, a fazer com que elas cresçam. Além disso, acho que fui educada para guardar as minhas coisas para mim e em reprimir os meus sentimentos, ninguém tem culpa disso mas é difícil mudar e depende apenas de mim. E estou bastante melhor.
Com isto não quero que penses que estou chateada porque se eu deixei foi porque quis e quero essencialmente que continuemos amigos com as coisas bem resolvidas, visto bem, o que tivemos não foi mesmo praticamente nada.
Não sei se acreditas ou não mas estou realmente bem, nos dias a seguir várias pessoas me perguntaram como me sentia e olhavam com cara desconfiada quando dizia que estava bem mas não estava a mentir, no dia custou-me, é normal, mas passou e agora estou mesmo bem. Claro que ainda tenho um carinho especial por ti, mas, tal como disseste, quero que este carinho se canalize todo para a amizade que tenho por ti e apenas isso, tal como pediste. Só não prometo que se estiver bêbada me consiga controlar.
O que eu quero agora é clarear as ideias para realmente podermos ser só amigos.

Com carinho,
Íris 

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